Opinião





Luís Alberto Caldeira

Jornalista, editor do site Bem na Net. Bacharel em Comunicação Social pela PUC Minas. Pós-graduado em Comunicação Digital.
 

Sandy & Junior em Moc: uma mega estrutura e algumas pequenas grandes falhas

10 OUTUBRO 2004

Um show de luzes e de som. Projeção de imagens em telões que interagem com o público e com os artistas. Um palco bem montado. E uma dupla que contagia crianças e adultos pelo seu sucesso e carisma. Esse é o fenômeno Sandy & Junior, um espetáculo que no último dia 9 de outubro atraiu caravanas de cidades próximas e convocou boa parte da população de Montes Claros a cantar junto as músicas do seu último álbum, "Identidade", aqui em nossa cidade. Mas as vaias que surgiram da multidão ao locutor que anunciava o show com duas horas de atraso queriam dizer algo mais em contrapartida à mega estrutura trazida pela Cercado Produções.

Em primeiro lugar, quero pedir desculpas ao visitante do arennaonline pelo desleixo deste jornalista aqui em não estar com um gravador e uma caneta em mãos no evento em questão, pois não esperava que tantas pessoas, na maior parte delas mães que levaram seus pequenos para ver a Sandy e o Junior, virem até mim – identificado pelo crachá de imprensa do site – para reclamarem das faltas que a produção do show cometeu, e, ao mesmo tempo também documentar o frenesi dos inúmeros fãs que acompanhavam cada letra das canções, e ainda o esforço de quem trabalhava nos bastidores para garantir um evento de qualidade para o público. Enfim, uma reportagem com todos os seus lados. Mas já que esta prática não foi possível, e tendo em vista a representação da figura do jornalista como porta-voz da sociedade, é dever meu registrar a indignação de muitos com alguns pontos deste grande acontecimento onde houve falhas – evidente que nada é perfeito – e, lógico, também aplaudir as ações que foram bem executadas.

O atraso para a abertura dos portões, marcada para às 18h, bem como o do início do show, que começou por volta das 23h05, foi a queixa mais freqüente no evento, e não é por menos pois a grande maioria do público presente era composto por crianças, e além de a espera ter sido exaustiva, o horário de início foi além daquele autorizado pelo juizado para a censura de idade permitida. O amplo espaço destinado à chamada Área VIP também foi uma reclamação que corria entre algumas pessoas que estavam no espaço geral, a popular "Área do Povão" – denominação esta que vem confrontar as "pessoas muito importantes" da área VIP – e que, entre um esbarrão e outro, tentavam enxergar o palco lá do fundo.

Antes de partir para uma próxima queixa, vale destacar o local de realização do evento, que teve a dupla Sandy & Junior como inauguração de um espaço muito bom para shows – o antigo "nada" em meio à urbanização nos fundos da Rodoviária e adjacências, que agora, parte deste espaço, tornou-se o estacionamento sul do Montes Claros Shopping Center. E a gente sabe que a nossa cidade carece de bons locais para a realização de grandes shows. O Poliesportivo virou um elefante branco: longe da região central, abandonado pela atual administração, sem a existência de quaisquer atividades esportivas à sua altura, é ainda impróprio para shows musicais visto à sua precariedade acústica. O Parque de Exposições era até então o local oficial para tais produções e agora ganhamos mais esta opção, o estacionamento do shopping, local que faço votos que continue servindo a cidade de Montes Claros para eventos de grande porte. Por ser próximo à Rodoviária, facilitou até a vida daqueles que vieram de fora para acompanhar o show dos filhos de Xororó.

A Cercado Produções apostou neste local e se empenhou com profissionalismo para dar a Montes Claros um evento de grandes proporções à altura de grandes cidades, e é desta forma que devemos encarar a nossa cidade se desejamos o seu crescimento. Ao meu ver, e aqui insiro mais uma reclamação geral – não só minha – faltou planejamento do trânsito do local (ou este planejamento não foi o suficiente) por parte da Cercado em conjunto com a Transmontes e o Montes Claros Shopping Center. A saída de carros de quem havia estacionado no shopping foi tumultuada, demorada e cheia de troca de insultos entre os motoristas. Por outro lado, posso citar o policiamento que foi feito com grandeza, a qualidade dos equipamentos de som, a preocupação social dos organizadores a partir da inclusão do "Ingresso Solidário" – com a campanha de doação de alimentos para a população carente da região – entre tantos outros pontos que garantiram, por que não dizer, o sucesso do evento.

Como já falei, poderia ser publicada em nosso site uma bela reportagem sobre o show, com a palavra o público, a organização, e, quem sabe, os artistas que fizeram muita gente pular e cantar. Particularmente, não cantei muito porque ainda não decorei a letra das novas músicas da dupla – e também por eu ser da época do "Abre a porrrta, Mariquinha". Também não ganhei um "bjim" da Sandy, até porque o arennaonline não foi credenciado para a cobertura do evento, e, infelizmente, nessas horas, muitas vezes só quem é patrocinador, ou ainda sobrinho da tia do vizinho do papagaio de fulano que é amigo de quem tá promovendo o evento, vira "imprensa", menos quem é realmente diplomado. Mas tudo bem, eu não me queixo. Estamos começando agora, e todo início é realmente difícil, e são poucos (mas a quem agradeço de coração) que estão apostando neste projeto. E aproveitando o espaço, quero deixar um recado para a filha do Xororó: Sandy, pára de ligar pro meu celular!! Você desperdiçou o amor, partiu e nunca mais ligou! Não quero mais nada com você! Hehehehehe... Agora deixa eu acordar!! Abraços para todos!

Então fica assim...

Abraço para o pessoal da Espetáculo Eventos que vem acreditando em nosso trabalho e está nos credenciando para a cobertura dos ensaios da banda Toque Xote na Fire + Ice.

Carnamontes 2004 e a questão: turismo ou cultura?

06 OUTUBRO 2004

Em entrevista com a banda Anyllia 25 para o arennaonline, ouvi uma reclamação muito pertinente no que diz respeito ao investimento da Prefeitura Municipal em cultura, e acabamos caindo no assunto do Carnamontes. Desde a sua primeira edição, em 1997, quando ainda era realizado na Avenida Sanitária, o evento vem promovendo a cidade de Montes Claros para fora de nossos limites geográficos. Vem gente de Guanambi, Mortugaba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Nossa Senhora da Conceição do Mato Dentro, enfim, pessoas de todo o Brasil que curtem um carnaval temporão e que descobrem essa terra boa aqui do sertão.

E sempre na época do evento, os proprietários de hotéis na cidade comemoram a chegada de hóspedes, os restaurantes faturam, lan houses ganham novos clientes, e todo comércio em geral lucra. Também não podemos nos esquecer da criação dos empregos temporários, que vai desde a Dona Maria que vende salgado na avenida do Carnamontes, os ambulantes que comercializam bebidas, os cordeiros e até mesmos aqueles seguranças mal-encarados que trabalham revoltados dentro do bloco enquanto os foliões beijam e comemoram uma falsa alegria, ou um contentamento fugaz.

Mas não vamos fugir do assunto. Estava dizendo do capital que entra em nossa cidade durante o período da realização do Carnamontes, apesar de que a maior parte do lucro vai para os organizadores, donos de trios-elétrico e empresários que nada tem a ver com Montes Claros – até mesmo a produção dos abadás fica por conta de confecções externas. Enfim, retomando a lógica do raciocínio: para você, Carnamontes soma mais à cultura ou ao turismo de nossa cidade?

Reconheço a boa vontade da Prefeitura Municipal em apoiar o evento, mesmo que este apoio venha de um órgão que, ao meu ver, não desfruta do retorno do investimento, do saldo final de tal realização. Falo da Secretaria de Cultura, e como bem questionou o pessoal da Anyllia 25 em entrevista para este site, e concordo plenamente, o que o Carnamontes adiciona para a nossa cultura regional? É mais farra, auê, oba-oba, e turismo!

Fui apurar na Prefeitura e descobri que realmente até o ano de 2003 não contávamos com nenhum órgão competente de turismo na cidade, quando foi criada a Gerência de Turismo, ligada à Secretaria de Indústria e Comércio, que, neste ano, passou-se a chamar Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo.

No próprio site da Prefeitura Municipal discrimina que “a Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo tem por finalidade: contribuir para a promoção do desenvolvimento sócio econômico, promovendo a geração de emprego e renda e buscando uma constante melhoria no índice de qualidade de vida da população do município de Montes Claros”; e ainda que “compete à Gerência de Turismo e Eventos: exercer as atribuições de planejamento, coordenação e controle dos programas e atividades relacionadas ao fomento do turismo e de promoção de eventos de natureza econômica”. Creio que diz tudo, não é mesmo?

Obrigado, Secretaria de Cultura, mas vamos voltar seus esforços para o Psiu Poético, para os Catopês, para Festa Nacional do Pequi, para o Tom da Terça... e deixe nossos turismólogos trabalharem. Não é à toa que temos uma Faculdade de Turismo na cidade.

Pra encerrar, alguns comentários sobre os shows do Carnamontes 2004. Psirico: não é banda de trio; entrou na avenida com 20 músicas no repertório e repetiu 30 vezes Chupa Toda, Xô Satanás e Beija Beija tá calor tá calor... Jammil: muito bom, talvez o que mais fez a moçada pular no Carnamontes, embora tenha deixado de tocar alguns de seus sucessos. Ivete Sangalo: pisquei e o show acabou! Quando notei, em cima do trio já estava a sua clone, Fernanda Garcia, que não tem as mesmas coxas grossas da Ivete, mas que agitou a galera muito bem!


Jornalismo e colunismo

Em periódicos como jornais, sites ou revistas, há sempre espaços reservados para colunistas. Colunista é aquele que tem sob sua responsabilidade uma seção, onde ele escreve, tece comentários e opina. São as chamadas colunas. Dentre tantos colunistas, há aqueles que falam de arte, de humor, de televisão, etc. Esta, redundância ou não, é uma coluna de opinião. Ou pelo menos este é o propósito, a fim de se criar aqui um espaço de reflexão sobre o que acontece em nossa cidade, e do que faz Montes Claros, Montes Claros. E como agora também faço parte desse universo, podem me classificar como colunista, se quiserem.

E uma coluna social? Falaria de quê, se continuássemos nossa classificação temática? De pessoas? Resolvi definir – eu não, o dicionário – a palavra ‘social’. Sua relação é com sociedade, e determina-se esta como uma convivência de pessoas sob uma lei que lhes é comum, ou um meio humano no qual uma pessoa se acha integrada. Sendo a Sociologia uma ciência dos comportamentos sociais, temos como exemplos de fatos sociais as formas de amor, namoro e casamento, a saúde e a doença, o crime e o castigo, o trabalho e o lazer, o individualismo e a solidariedade, a guerra e a paz, o amor e o ódio, etc., o que faz garantir a existência de uma vida em coletividade, ou seja, de uma sociedade.

A Sociedade de Montes Claros, julgo eu, reúne todos aqueles que a esta cidade fazem parte, os que residem ou os que aqui nasceram. Mas vejo que a maioria dos colunistas ‘sociais’ – e isso não é exclusividade de Montes Claros – preferem demarcar o termo ‘social’ como um feito jornalístico da retratação da vida das elites. Isto não seria um ato de segregação para com o restante das pessoas de tal sociedade? Por que não mostrar a Dona Maria faxineira, o Seu Zé do mercado, o João do Shopping Popular...? Ah!, porque só é notícia ‘quem acontece’!

Respeito o papel do colunismo social ao longo do tempo, aquele que alfinetou os nossos governantes, que documentou a história, e que considerou as ações sociais, política e econômicas que fizeram o desenvolvimento de cada cidade, embora concorde que há graves distorções em tal documentação, tendo em vista uma História sempre contada pela elite, pelos Senhores.

Ignoro qualquer manifestação de colunismo feito na cozinha, ou seja, aquele que se preocupa em detalhar as jóias, as roupas de griffe, ou em criar deuses da beleza e do poder, tendo em vista unicamente a sua posição social momentânea. É este colunismo que vem pautando atualmente o preço da imagem, onde o status impera, partir da troca de notinhas nos jornais por favores políticos e/ou financeiros.

Tão grave quanto fazer colunismo social e nada fazer pelo social é se sentir impotente a certas práticas de Jornalismo medíocres. Não falo nem de assassinatos à língua portuguesa que já se tornaram constantes em alguns jornais impressos da cidade, mas de ver desmoronar o propósito do Jornalismo ensinado nas escolas de Comunicação. Cito, por exemplo, um caso recente quando um jornal local plantou em sua porta um outdoor de um político candidato à Prefeitura ao mesmo tempo em que se dizia ser imparcial. Tá certo: neutralidade não existe, mas é possível ser justo nas reportagens jornalísticas. E desde que não prejudiquem a verdade, podemos até excluir do assunto as matérias pagas – é o fim, mas acaba que alguém vai ter que pagar as contas no fim do mês, e parcerias e permutas são até saudáveis. Não gostei muito do final deste parágrafo, mas está valendo.

Quanto aos jornaizinhos que publicam os ‘colírios’ do mês e as revistinhas que são impressas para falar da vida das pessoas, eles podem até continuar a existir... mas por favor, que se continue a denominar no diminutivo tais publicações, pois Jornalismo é profissão e não recreação.


arennaonline

Fotos, badalação, entretenimento, Jornalismo, opinião. São estes os ingredientes que unimos para que, no produto final, pudesse ser criado, para você internauta e para você montesclarense, um espaço para pontuar aquilo que é destaque em nossa cidade.

Chegamos não para disputar com outros sites do gênero, mas para acrescentar, somar a Montes Claros e ao circuito jovem. Vamos às festas, aos eventos, vamos nos divertir juntos, mas também vamos informar você, mostrar o que essa terra tem de melhor e quem se destaca pela competência de seu trabalho.

Esperamos que goste de nosso conteúdo. E lembrando: quaisquer sugestões e/ou críticas, escreva para o arennaonline. Será um prazer ouvir você.


Então fica assim...

Em primeiro lugar, abraços para o pessoal da Banda Anyllia 25, Igor, Nyll, Raw, Leo e Rafa, moçada que se colocou gentilmente à disposição para a primeira entrevista do arennaonline. Obrigado pela confiança e sucesso para banda!

E também valendo um “alô” para os integrantes da Abadaba, que estiveram presentes recentemente na Arenna Lan House. Também para o assíduo na casa DJ Alisson e para seu companheiro das pick-ups DJ Heron, este que, aliás, produziu um CD que é prato cheio para quem curte dance music. Vale conferir.

Um carinho especial para Diana Maia, que produz o programa “Algo Mais” aos sábados às 14h na Rádio Terra.

Abraços também para o pessoal da sala oficial de bate-papo da cidade de Montes Claros na Rede CHATNet de IRC, e para Paulo e Josy Caribe, ex-Suporte Online.

E ainda ao pessoal da Dedejum. Parabéns pela visão que tiveram em entrevistar o engraxate Bruno, publicação da edição anterior. Creio que é por aí o caminho para se mostrar Montes Claros, nossa cara e nossa gente.

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